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TEM SESSÃO PIPOCA NO SANTÊ, SIM SINHÔ!
Reportagem - Liliane Martins
Edição/ Revisão - Carem Abreu
A primeira Sessão Pipoca Itinerante do Cineclube Social aconteceu no último dia 15 de maio, no bairro Santa Tereza, região Leste de BH. O Cineclube Social da Atos Central de Imagens neste semestre terá sua itinerância na região através de parceria firmada entre a ATOS e a Associação Comunitária do Bairro Santa Tereza. E a comunidade respondeu ao chamado. Cerca de 30 pessoas assistiram aos filmes e pela primeira vez, os adolescentes marcaram presença com seus olhos brilhantes de curiosidade, surpresa e risadas espontâneas.
A MOSTRA BH EM FOCO trouxe filmes produzidos em 2005/06 por alunos do Centro de Referência do Audiovisual- CRAV/MG, através do projeto Belo Horizonte Imagem e Som (BHIS II). Os filmes "TEMPOS DE FOLIA" (mini documentário com imagens dos blocos carnavalescos de BH como Os Inocentes, Banda Mole, Banda Santa) e "MAMÃE ANDAVA ARMADA" (imagens do bairro Santa Efigênia na década de 50,) chamaram a atenção do público por serem gravados em BH e mostrarem na tela o cotidiano de muitos que estavam presentes.
Já as a animações "O VENTO" e "PLUTÃO", do belohorizontino Sávio Leite, tiraram risadas descontraídas do público jovem. Já o filme "PORTÃO AZUL: A CONQUISTA DA LIBERDADE", de Daniela Giovana e Shirly Ferreira, que retrata o percurso e o conhecimento de pessoas marcadas por sua trajetória de vida nas ruas de BH foi o ponto de partida para a reflexão proposta na Roda de Conversa.
O tema da Roda de Conversa: Liberdade de quê? Junto com a exibição dos filmes provocou um sentimento em comum nas pessoas: será mesmo que temos essa tal liberdade que tanto se anseia? A essa questão, uniu-se à idéia de que maio é o mês da abolição e gerou. Será que essa "abolição" trouxe mesmo a liberdade para o nosso povo? Ser livre, dentre outros aspectos, é saber entender o mundo e escolher. E todos podem, sim, entender as mensagens catastróficas da natureza e escolher uma vida e um ambiente (interno e externo) melhor.
UM MUNDO DE SENSAÇÕES E REFLEXÃO
Pantiola, presidente do tradicional Bloco Caricato Inocentes, que surgiu no bairro Santa Tereza na década de 60/70, foi convidado para intermediar a Roda de Conversa. Ele se sentiu maravilhado ao ver os blocos de carnaval desfilando na cidade no curta. Para Pantiola assistir ao filme “Tempos de Folia” foi como voltar aos tempos de menino quando tocava no Inocentes. “Foi triste ver o bloco se desfazer. Mas fiz questão de abraçá-lo de novo e continuar, 21 anos depois, essa história. O Inocentes vai voltar ser o que era: um bloco que fazia BH parar pra todo mundo ver o Inocentes passar”.
Para Pantiola o carnaval atua na sociedade como instrumento de amizade, mas acredita que a liberdade de se fazer uma festa dessas na capital mineira foi tratada como produto. “Belo Horizonte era para ser sede do segundo melhor carnaval do Brasil, mas infelizmente essa liberdade nos foi tirada pelos “poderosos”, que começaram a tratar o carnaval mineiro como mercadoria, desvalorizando assim, a cultura popular. Acabar com o carnaval de BH foi uma estratégia política.”, afirmou.
Completando o pensamento de Pantiola, o mestre de capoeira angola João Angoleiro, da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro (ACESA), assegurou que a falta de investimento na cultura popular das escolas de samba de Belo Horizonte se deve à descriminação que sofreram na década de 70 “Desfilei nas escolas de samba, no Carnaval de Belo Horizonte. Os blocos sempre apresentavam temáticas popularescas que valorizam a crítica à sociedade. Presenciei a descriminação sofrida pelos blocos, pois os temas incomodam quem está no poder. Foi uma falta de respeito muito grande com a manifestação cultura da cidade, foi falta de liberdade de Expressão!”.
Uma das participantes do encontro foi a moradora do bairro Santa Tereza, Carla __. Para ela, a Abolição da Escravatura mão trouxe a liberdade tão esperada pelos brasileiros “Há uma luta de classe muito grande, há muita desigualdade social que contribui para essa não libertação.” Concordando com Carla, Júnia Costa, produtora da ATOS Central de Imagens, afirmou que “Liberdade é algo mais amplo. Acredito que estamos vivendo uma falsa liberdade cultural, político e financeiro.” Para o jovem Nimai Araújo, integrante do bloco Inocentes “O preconceito ainda existe e por isso não se tem liberdade”, finalizou o músico.
OS INOCENTES DO SANTÊ
O Bloco Caricato Inocentes de Santa Tereza ficou parado por 21 anos. Segundo o atual presidente, o motivo foi por causa da diretoria anterior, que teria quebrado a escola. Junto com um amigo, Pantiola, reviveu a história, que estava em meras lembranças do passado “O Bloco dos Inocentes é um dos maiores orgulhos da cidade. Por isso, partindo de uma idéia vitoriosa, o bloco propõe a mesma idéia de vitória no século XXI”, afirmou o atual presidente. Com 180 componentes os Inocentes o bloco enfrenta vários problemas estruturais “A nossa maior dificuldade é a falta de uma sede. Estamos negociando com a prefeitura um local para guardar os instrumentos e ensaiar para embelezar os próximos carnavais”, finalizou Pantiola.
Próxima Sessão
A próxima Sessão Pipoca será quinta-feira, 29 de maio, às 19 horas no pré-vestibular Educafro Minas, na Av. Amazonas, 314/ 210, Centro – BH/MG. O tema da Roda de Conversa será ”Pra que serve a Educação?” , a fim de fomentar uma reflexão sobre até que ponto a educação contribui para cidadania? Será que o ensino possibilita a reflexão das informações e a inclusão social?. As facilitadoras serão a coordenadora da Educafro Minas, Danielle Anatólio e a pedagoga,
Alexandrina Nicodemos. As mostras audiovisuais serão:
MOSTRA BH IMAGEM E SOM - BHIS I
Contrastes (Documentário - 1'): Exposição visual de diversos contrastes na realidade social de Belo Horizonte.
Dir.: Joacélio Batista
Traduzida em Palavras (Documentário – 1'): A cidade de Belo Horizonte traduzida em palavras pelo dicionário, pelos olhos do diretor e por seus próprios moradores.
Dir.: Sérgio Vilaça.
Seu Dodô (Documentário – 1'): O depoimento de Seu Dodô, um senhor que nasceu e cresceu em Belo Horizonte em uma época onde tudo que escutamos falar sobre o ideal de bem viver era real.
Dir.: Rosane Vita.
"Marte" e "Plutão" (Animações)
Dir.: Sávio Leite. BH, 2004.
PRODUÇÃO INDEPENDENTE
Ajé Awó, Saberes e Sabores da África (Documentário - 11'): Uma reflexão sobre as crenças, raízes e tradições da religião trazida para o Brasil pelos negros. Além de um histórico sobre a trajetória dos negros para o nosso país e a filosofia do Candomblé, de tradição yorùbá, sobre a criação do Universo. O ritmo, o uso contínuo de percussão em sua trilha, imagens de dança afro e a culinária, exemplificam como agradar cada Orixá.
Dir.: Junia Torres.
Confirme sua presença no (31) 3271-3038. Participe!
Veja o cartaz
O Cineclube Social Sessão Pipoca foi criado pela produtora audiovisual ATOS Central de Imagens para proporcionar a reflexão da atuação dos movimentos sociais a partir da análise da produção cinematográfica. Ele é composto por dois momentos: a Exibição de Filmes e uma Roda de conversa sobre a temática do filme exibido. No ano passado, as sessões de nosso Cineclube Social eram realizadas somente na sede de ATOS Central de Imagens, no bairro Santa Tereza. Este ano, os idealizadores do projeto leva o evento mais próximo dos movimentos sociais.
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