DO SÉCULO PASSADO QUE NADA! O HIP HOP ESTÁ MAIS ATUAL DO QUE NUNCA
Reportagem - Liliane Martins
Edição/ Revisão - Carem Abreu
Tudo começou na década de 60 nos Estados Unidos. Vinte anos depois ele chega ao Brasil e toma conta da Rua 24 de Maio e do metrô São Bento, em São Paulo. Aos poucos, conquistou os brasileiros e em Belo Horizonte, não poderia ser diferente. O Hip hop chegou pra ficar! Com o jeito mineiro de ser, os grupos foram de formando e mais do que cantar, o hip hop é uma arte de reflexão e se tornou uma forma dos jovens refletirem sobre as políticas sociais brasileiras.
Entre os grupos que trabalham com o hip hop em Belo Horizonte destaca-se o N.U.C. (Negros da Unidade Consciente). A banda nasceu em 1997, no Alto Vera Cruz, zona leste de Belo Horizonte, e é formado por DJ Francis, Dani Crizz, Renegado e Negro F. Todos jovens atuantes nas comunidades onde vivem. Em 1998 o grupo gravou sua primeira coletânea. Assim ganhou mais visibilidade na comunidade e hoje, o Brasil inteiro conhece e valoriza o som do NUC. A partir da criação da banda, surgiu o Grupo Cultural NUC, uma ONG que visa difundir ações culturais como a arte, a cultura negra, a tecnologia e o hip hop para jovens e adultos da periferia mineira.
Trabalhar “construindo o futuro, transformando o presente, valorizando e aprendendo com o passado”, é o lema do G.C. NUC. Os idealizadores acreditam que o processo funciona de dentro pra fora. Pensando assim, desde 2003 vários projetos são realizados em sua sede: palestras, debates, exibições audiovisuais, shows artísticos, acesso à internet e informações sobre arte e cultura. O C.G. N.U.C tem uma atuação bastante consolidada na comunidade Alto Vera Cruz e seu trabalho é levado ao Brasil inteiro (através de quê???). Um dos últimos trabalhos do G.C. N.U.C, em parceria com a Crew Grafitti Ctor-9, destaca-se a 1° Intervenção Feminina de Grafitti de BH. O Evento foi realizado nos dias 15 e 16 de dezembro na comunidade do Alto Vera Cruz. Esse novo projeto tem como principal objetivo motivar a produção artística de meninas, fortalecendo as relações de gênero na cultura hip hop.
NEGRO F NA ÁREA
Fred, mais conhecido como Negro F, foi convidado pela Atos Central de Imagens para ser um dos facilitadores da Sessão Pipoca do dia 6 de dezembro, que teve como tema “Juventude e Preconceito”. Para ele o cineclube social "é um espaço de diálogo e difusão. Ele propicia a discussão e reflexão sobre temas que rondam a nossa sociedade". Grafiteiro e rapper Negro F é, junto com o DJ Renegado, um dos fundadores da banda N.U.C. e do Centro Cultural com o mesmo nome, sediado na comunidade do Alto Vera Cruz. Ele iniciou sua carreira artística no grupo Manos Grafite e resolveu junto com Renegado agregar ao hip hop elementos que fossem além da música: uma idéia política aliada à valorização do povo negro.
Durante sua explanação Negro F. lamentou o fato de no Brasil as pessoas, principalmente os jovens, tendem a copiar modelos de outras culturas a fim de adquirir status: “os modelos europeus e americanos estão infelizmente impregnados em nossa cultura. Eles nos dominam! A partir do momento que eu detenho o poder, eu domino o outro". E ele vai mais além apontando os “culpados” por esse tipo de dominação: "os valores que a mídia impõe de consumo faz com que alguém acredite que ele só é alguém se tiver aquele tênis e outro e outro e mais outro. Ter poder e estar na moda é o que as propagandas pregam o tempo todo".
Negro F. passou também um pouco do que sabe sobre o Hip Hop. Ele afirmou que o hip hop tem uma característica diferenciada em cada país. No Brasil, por exemplo, as letras reivindicam direito à educação, saúde, informação, transporte e outros; mostrando o que os meio de comunicação convencionais não mostram. Durante a conversa, Negro F. apontou vários problemas preconceituais que rondam os brasileiros como (quais???) e acredita que há muito trabalho precisa feito. Para ele qualquer pessoa pode proporcionar algum benefício em sua comunidade, basta ter força de vontade em mudar o próprio meio em que vive: “estamos num processo positivo relacionado à tomada de consciência. Temos uma ONG, realizamos movimentos e todo isso faz parte do processo, do momento que cada comunidade vive”.
Para Finalizar, Negro F. se mostrou bastante otimista e afirmou que o importante é sonhar e acredita que 2008 continuará atuando firme em seus projetos, "porque você é do tamanho do seu sonho. Se você sonha pequeno você é um ser pequeno, se você sonha grande você tem muito potencial para crescer mais ainda", afirma o haper e grafiteiro.
DISCOGRAFIA DO N.U.C
1. Funk Minas – 1998
2. Revolução da nossa cara – União Juventude Socialista – 1999
3. Abril Pró-Rap – Brasília – 2000
4. Manifesto 1º Passo – 2001 – NUC, Meninas de Sinhá e Capoeira Arte Brasil
5. Resistência – 2004
6. Coletânea NUC – 2004 – Conexão Alto Vera Cruz/Havana
O próximo trabalho está a caminho e deve se chamar "Do morro vem o que você não esperava".
Endereço N.U.C - Negros da Unidade Consciente. Rua Desembargador Bráulio, 938. 2º andar. Bairro Alto Vera Cruz.Telefone: 3468-2245
O HIP HOP CHAMA BH
O fascínio pelo Hip Hop fez com o que Negro F. e os outros integrantes do grupo N.U.C se tornassem militantes do movimento "Hip Hop Chama". O coletivo é uma organização político-cultural autônoma composta por jovens ativistas da cultura hip hop de Belo Horizonte. Qualquer pessoa pode participar dos encontros. O participantes se reúnem periodicamente para discutir questões políticas que envolvem o hip hop. Para saber mais e participar envie um e-mail para hiphopchama@yahoo.com.br
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