Reportagem: Luna Gomides
Edição/ Revisão: Carem Abreu
Desde o último dia 29 de setembro, 16 jovens angoleiros de Belo Horizonte, estão entrando no mundo do cinema para conhecer de perto a linguagem audiovisual e realizarem seu primeiro documentário. A “Oficina de Produção Audiovisual: Documentos de si”, é integrante do projeto “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a capoeira angola e a volta que o mundo dá”!, realizada pela ATOS Central de Imagens, com o financiamento do prêmio Capoeira Viva, do Ministério da Cultura.
Os oficineiros possuem entre 14 a 30 anos e vêm de diversas frentes de trabalho da ACESA (Associação Cultural Eu Sou Angoleiro – Mestre João Angoleiro) situadas na região metropolitana da capital, como Lagoa Santa, Vespaziano, Barreiro, Contagem, onde treinam capoeira angola. Todos os integrantes da oficina não possuem experiências anteriores no audiovisual, por isso, estão aprendendo sobre todas as etapas da produção de um documentário com profissionais que atuam no mercado audiovisual em BH.
A capacitação oferecida tem como objetivo preparar os alunos para participarem do processo de produção de um documentário de 15 minutos, realizado em Minas Gerais. O curta-metragem é parte integrante do documentário televisivo ‘Paz no mundo camará: a capoeira angola e a volta que o mundo dá’. Este filme obteve financiamento do Fundo Estadual de Cultura, de MG, e tem como objetivo fazer uma pesquisa aprofundada na Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais, sobre a Capoeira Angola como instrumento de inclusão social e paz no mundo e a sua contextualização na história do Brasil. O resultado dessa pesquisa será um documentário de 52min, que já tem exibição garantida no Canal Brasil e na TV América Latina.
VIVENDO E APRENDENDO
Eles querem ser senhores de sua história! A turma da oficina está se dividindo em grupos de áreas de maior interesse dos alunos. Eles, aos poucos, aprendem sobre roteiro, produção, direção, fotografia. E já tem gente começando a sentir na pele e no estômago o friozinho que dá quando se aproximam as datas da gravação.
Muitos desses jovens nunca tinham pensado em estudar cinema até acontecer o projeto. Hoje eles se surpreendem com a descoberta do mundo audiovisual: “Antes da oficina, nunca tinha passado pela minha cabeça, mesmo porque eu nem tinha conhecimento do que era um documentário, mas agora que eu já sei, posso falar que eu quero mexer com isso”, diz o capoeirista Cleves Henrique, de 25 anos, tatuador e aluno da ACESA no Centro de Educação e Cultura Flor do Cascalho (treinel Ricardo), na comunidade do Cascalho (Morro Alto). Cleves está bastante encantado com a linguagem documental. “A primeira aula da oficina, era a aula do Athaides (Athaides Braga é critico e professor de cinema), e ele expôs o que é o documentário, o que é o cinema. Isso abriu um leque muito grande na minha cabeça, porque eu vi que o documentário além de emocionar igual ao filme ”normal”, ele trás essa questão social, ele te educa e você ainda pode contribuir com a sociedade de alguma forma”.
Os alunos já começaram a se dividir em equipes e a pré-produção começa a acontecer dando chances aos meninos de, logo no começo, sair da teoria e colocar a mão na massa, na área direta em que deseja atuar. Otavio Chaves, 23 anos, estudante de turismo e também aluno do Centro de Educação e Cultura Flor do Cascalho, optou pela equipe de roteiro: “escolhi roteiro pela questão da pesquisa, procurar fontes, ir lá conhecer, ter que achar a pessoa chave”. Ele já percebe que a prática é bastante diferente do que aprende na teoria. “Eu nem imaginava, agora que eu vi que é bem amplo o roteiro... a parte da pesquisa bateu ao que eu estava esperando, mas eu descobri que tem várias outras coisas. É legal demais!”, fala Otávio todo empolgado depois da primeira reunião da equipe de roteiro.
Gustavo, capoeirista e morador de rua fala da oficina: “Tô achando muito legal, cada dia que passa, amplia mais a mente assim, a visão, por que audiovisual cara, eu já tinha ouvido falar, mas não sabia nem por onde começava. E agora eu tô dentro da historia e cada vez eu tô mais ainda, por que assim, é uma coisa que eu nunca tive contato, primeira oportunidade que tive e já to fazendo essa oficina e dentro dessa oficina um trabalho de documentário, é muito coisa, são muitas informações, muito aprendizado.”, Gustavo depois de alguma aulas já considera o cinema uma arte; “É uma grande oportunidade que eu tô tendo agora. No meu ponto de vista não é só uma oportunidade de fazer um documentário, mas uma oportunidade de se aprofundar dentro dessa arte aí, aprender essa arte” diz ele.
AULAS NO PONTO DE CULTURA EM NOVEMBRO
Faltam apenas mais alguns retoques para o Centro de Educação e Cultura Flor do Cascalho, o mais novo PONTO DE CULTURA de BH, receber o pessoal da Oficina de Produção Audiovisual: Documentos de si. A previsão é de que em novembro as aulas da oficina inaugurem oficialmente as atividades culturais do PONTO DE CULTURA Flor Cascalho.
Os alunos envolvidos com o Ponto de Cultura Flor do Cascalho já pensam em dar continuidade aos novos aprendizados. Otávio, o novo roteirista do pedaço fala um pouco sobre a do projeto e das expectativas quanto ao Cascalho: “só tenho agradecimentos mesmo e é muito interessante isso como uma forma de inclusão dando oportunidade pra pessoas que talvez nunca tivessem, mexer com uma câmera, aprender fotografia, ter essa oportunidade... e o próprio Cascalho recebendo esse curso, depois vai ter várias oportunidades de nós, que estamos aqui na oficina, passar todos esses conhecimentos pro pessoal de lá”.
Ponto de Cultura Flor do Cascalho: Beco Marco Antônio, 250 - Morro Alto / Comunidade Cascalho - Próximo a Polícia Federal. Ônibus - 2101 - Descer no último ponto da rua Oscar Trompowiski - Gutierrez
Contato: (31) 9693-9426 / 8758-4734 - Treinel Manaus.